Atologia Poética - Elegia - 7 - pág.: 90 e 91. O crepúsculo é este sossego do céu com suas nuvens paralelas e uma última cor penetrando nas árvores até os pássaros. É esta curva dos pombos, rente aos telhados, este cantar de galos e rolas, muito longe; e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas, ainda sem luz. Mas não era só isto o crepúsculo: faltam os teus dois braços numa janela, sobre flores, e em tuas mãos o rosto, aprendendo com as nuvens a sorte das transformações. Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos, tua boca, onde a passagem da vida tinha deixado uma doçura triste, que dispensava palavras. Ah, falta o silêncio que estava entre nós, e olhava a tarde, também. Nele vivia o teu amor por mim, obrigatório e secreto. Igual à face da Natureza: evidente, e sem definição. Tudo em ti era uma ausência que se demorava: uma despedida pronta a cumprir-se Sentindo-o, cobria minhas lágrimas com um riso do...